sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A Família Real no Brasil

A partir de 1808, o Rio de Janeiro passou por uma grande transformação: a Família Real Portuguesa, comandada pelo príncipe D. João, deixou Portugal e veio para a então capital brasileira. Vamos saber por que isso aconteceu e como foram os 13 anos em que a realeza permaneceu na cidade?
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No começo do século XIX, a França era governada pelo imperador Napoleão Bonaparte, que invadiu quase todo o continente europeu. Ao desobedecer as ordens francesas, que probiam os países europeus de comercializar com a Inglaterra, na época a principal nação inimiga da França, Portugal também foi ocupado pelos franceses, em 1807.
A família Real, então, fugiu para o Rio de Janeiro, com a ajuda de navios de guerra ingleses. E não viajou sozinha: mais de 15 mil pessoas vieram para o Brasil, que era uma Colônia portuguesa, ou seja, era controlada pelos portugueses.

D.João VI - No tempo em que ele viveu no Rio de Janeiro o Brasil teve uma fase de grande desenvolvimento. D. João VI tinha simpatia pelo Brasil e gostava do Brasil e voltou para Portugal a contragosto, em 1821.
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Parada inesperada

Antes de chegarem ao Rio de Janeiro, a Família Real e parte dos acompanhantes foram obrigados a fazer uma parada inesperada em Salvador, na Bahia. Isso ocorreu em 22 de janeiro de 1808, em razão de uma tempestade que os pegou desprevenidos. Eles ficaram na cidade por cerca de dois meses e só depois partiram para o Rio.
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Grandes transformações

Entre as mais de 15 mil pessoas que vieram junto com a Família Real ao Brasil estavam nobres, funcionários do governo, amigos da realeza e criados.
As embarcações traziam também uma grande quantidade de documentos, quadros, roupas, jóias, louças e prataria.
Para acomodar tanta gente, a cidade do Rio de Janeiro passou por uma série de mudanças e reformas. O príncipe regente D.João ordenou que os melhores edifícios da cidade fossem desocupados por seus donos para serem utilizados pelos integrantes de sua Corte.
Veja alguns fatos que marcaram a chegada e a permanência da Corte portuguesa no Rio de Janeiro.

Sem-teto

Nas casas e edifícios que eram tomados para uso da Família Real, escrevia-se a sigla "PR", que representava "Príncipe Regente". Muita gente que teve suas propriedades confiscadas, porém, dizia que o verdadeiro significado era "Prédio Roubado" ou "Ponha-se na Rua".


Esquadra numerosa

Em 29 de novembro de 1807, um total de 46 embarcações deixava Lisboa com o destino ao Brasil. Foram mais de dois meses no mar até aportarem na Bahia. A chegada definitiva no Rio de Janeiro aconteceu somente em março.



Desembarque no Rio

Após a breve estada na Bahia, no dia 8 de março de 1808 a Família Real e todos os seus acompanhantes finalmente desembarcaram no Rio de Janeiro. Houve uma grande confusão, pois milhares de pessoas foram dar boas-vindas à Corte.

Abertura dos portos

A abertura dos portos do Brasil às nações amigas foi uma espécie de agradecimento de Portugal à Inglaterra pela proteção contra os franceses. Dessa maneira, passaram a chegar ao Brasil produtos como ferragens, pregos, pescados, salgados, chapéus e cerâmicas de várias nações, mas principalmente ingleses.


Incentivo ao comércio

Com o tempo, surgiram no Rio de Janeiro inúmeros armazéns e lojas de moda que vendiam os produtos vindos da Europa e da Ásia. Eles foram abertos especialmente na Rua do Ouvidor, que se tornou o principal ponto comercial da cidade.

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A abertura do Brasil para o mundo

Uma das primeiras medidas do príncipe D.João após se instalar no Rio de Janeiro foi abrir os portos do país às "nações amigas de Portugal". Assim, o Brasil poderia fazer comércio com outros países que não fosse Portugal, o que era proibido.
Além disso, ele cancelou a proibição de que se frabicassem produtos no país, o que permitiu, por exemplo, a criação de oficinas de costura. A agricultura também foi favorecida, com a introdução de novas culturas, como a do chá.
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Rei por acaso

D.João, que nasceu em Portugal em 1767, não foi criado para ser rei. A morte de seu irmão mais velho, porém, fez com que ele se tornasse o herdeiro do trono português, que pertencia à sua mãe, D.Maria I. Quando ela foi declarada louca, em 1799, ele foi nomeado príncipe regente.
Só após a morte dela, em 1816, ele tornou-se rei, com o título de D.João VI.
Em 1820, houve uma revolução em Portugal. Insatisfeitos com as atitudes do governo português e também com o fato de o rei comandar o país morando no Brasil, os revolucionários exigiam a volta de D.João VI. Pressionado, ele não teve alternativa a não ser retornar, o que ocorreu em abril de 1821.
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A senhora da Corte


Rainha descontente - Carlota Joaquina nunca foi feliz no Brasil e queria voltar a Portugal.


Carlota Joaquina foi a esposa de D.João VI. Nascida na Espanha em 1775, casou-se com ele aos 10 anos por meio de um contrato arranjado e contra sua vontade.
A então princesa de Portugal não gostava de viver no Brasil. Ela também não se entendia com seu marido e tentou várias vezes tirá-lo do poder, conspirando com espanhóis. Carlota chegou até a enviar uma carta aos reis da Espanha pedindo para assumir o cargo de representante do trono na Argentina.
Apesar dos desentendimentos, o casal teve nove filhos. Um deles, Pedro, foi o primeiro imperador do Brasil.
Ao contrário de D.João VI, que era mais gentil com as pessoas, Dona Carlota era muito autoritária. Quando andava pelas ruas do Rio de Janeiro, exigia que todas as pessoas se ajoelhassem enquanto ela passava. Morreu em Portugal, no ano de 1829.
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Desenvolvimento do Rio de Janeiro

A instalação da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro possibilitou um amplo desenvolvimento da cidade. Para começar, muitas ruas foram construídas, modernizadas, ampliadas ou calçadas.
Novos e luxuosos bairros surgiram, como o Flamengo, o Botafogo e a Glória.
A área cultural foi bastante enriquecida. A partir de 1816, vários dos melhores artistas franceses foram convidados para dar aulas na Academia de Belas-Artes da cidade, também fundada por D.João VI.

Museu Nacional - É um dos mais importantes museus do Brasil.



Os quadros pintados por eles mostravam cenas da vida no Rio de Janeiro.
Foram criadas várias instituições culturais. Uma delas foi a Biblioteca Nacional, que funciona até hoje.

Biblioteca Nacional - Em seu acervo está os primeiros livros trazidos de Portugal.



Ela foi montada para abrigar os cerca de 60 mil livros trazidos de Portugal por D.João VI. Eles foram acomodados em uma série de endereços, até que em 1910 foram colocados no prédio onde estão atualmente, na região central da cidade. Hoje ela possui cerca de 8 milhões de exemplares, entre livros, jornais e manuscritos.
O Museu Nacional surgiu durante o período em que a Família Real esteve no Rio de Janeiro. Fundado em 1818, atualmente possui em seu acervo mais de um milhão de peças, incluindo ossos de homens pré-históricos, algumas múmias, utensílios índigenas e uma rica coleção de zoologia.
Também o Jardim Botânico foi construído naquela época. Foi criado em 1808 por D.João VI para ser um local de estudo e cultivo de plantas. Hoje é uma das melhores opções de lazer dos cariocas.


Jardim Botânico - Até hoje espécies vegetais do Brasil inteiro são estudadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.



Fontes: Coleção Para Saber Mais Recreio - Ciências Humanas - História



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